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Shows - AudioOk

Ter, 20 de Abril de 2010 15:35
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coachella

A 11ª edição do Coachella Valley Music And Arts Festival, no deserto da Califórnia, alavancou alguns nomes na hierarquia da música pop deste fim de década, e funcionou também como preliminar para o futuro. O megaevento foi palco de consagração para bandas que estouraram no século XXI e, ao longo dos últimos anos, mostraram estofo para sobreviver ao hype da internet, como Muse, LCD Soundsystem e Hot Chip. Além disso, o festival deu destaque aos novatos La Roux, Passion Pit e XX, entre outros. Estes ainda precisam pegar muita estrada e provar que não são apenas outras bandas de um disco só, mas eles já têm o amor do público antenado (por mais passageiro que isso seja).

O festival que levou 80 mil pessoas por dia à pequena cidade de Indio também mostrou a força do mercado de shows, e destacou a forma como o público lida com a música atualmente. De sexta até ontem, rolaram 135 apresentações em cinco palcos diferentes. Bandas como Vampire Weekend, Them Crooked Vultures e Gorillaz dividiram o line up com o rapper e popstar Jay-Z. O universo de atrações fazia as pessoas andarem com pressa, por vezes abandonando uma apresentação no meio para ver o início de outra, mudando de palco como quem troca de páginas no Myspace. São muitas as bandas favoritas e não se pode perder tempo. Para que tudo seja espremido num fim de semana, quase todos os shows têm, no máximo, 50 minutos. Cérebro do LCD Soundsystem, o músico James Murphy reclamou.

Temos mais três músicas no nosso setlist, mas acabei de saber que só podemos tocar mais uma - disse o americano de Nova York ao final de um show lotado, no maior palco do festival. - É assim que esses eventos funcionam. São organizados por pessoas que querem ditar regras para trabalhos empíricos.

A performance de sua banda foi uma das mais festejadas da sexta-feira. Além de tocar hits de seus dois primeiros discos, como "Losing my edge ", "Yeah" e "All my friends", o LCD mostrou três músicas novas. "Drunk girls", "Pow Pow" e "I can change" estarão no próximo álbum, "This is happening", que será lançado em maio. Foi a terceira vez deles em Indio, mas, nas outras duas passagens, o grupo de disco-punk ocupou tendas para shows de médio porte. Este ano, eles figuraram entre as atrações principais, o que é totalmente compatível com a sua influência atual. Considerado um gênio da música hoje, Murphy estava à vontade com a "promoção" e fez piada:

- A gente sempre foi aquela tigela de amendoins gratuitos no Coachella, mas hoje somos o peixe. Ainda não somos o bife de carne. Este é o Jay-Z (que subiu ao palco mais tarde e fez até um dueto com sua mulher, a cantora Beyoncè).

Outras bandas nativas do século XXI, mas já com certa maturidade, ganharam ou confirmaram lugar na área VIP do mundo pop com shows muito bons - e abarrotados - no festival californiano. O Vampire Weekend, também de Nova York, injetou força nas músicas de seus dois discos e mostrou carisma sem forçar a barra. Os ingleses do Hot Chip mostraram que o som não está limitado às pistas de boates e preencheram com sobra os espaços do segundo maior palco do evento. Enquanto isso, a americana Beth Ditto liderou o Gossip durante uma das participações mais bombásticas do fim de semana, numa das tendas do Coachella. Vale muito a pena procurar vídeos desse show no Youtube.

Mesmo formado nos anos 90, o Muse só ganhou fama na primeira metade da década atual. Hoje, a banda de Devon, na Inglaterra, faz parte do mainstream fonográfico. Divulgada com a atração principal de sábado, o trio jogou para o público o tempo todo. Entre hits como "Supermassive black hole" e "Knights of Cydonia", teve espaço para o hino americano e covers de Nirvana e Jimi Hendrix. Tudo com uma megaestrutura que incluía canhões de laser e telas de alta definição.

O quinteto de Boston foi uma das muitas "bandas do momento" no Coachella, que também teve o duo La Roux e os grupos Florence & The Machine e xx. Todos têm apenas um disco lançado, mas já ganharam status de estrelas, graças ao imediatismo gerado com a internet, e suas apresentações estiveram entre as mais concorridas do festival. O Passion Pit e os britânicos do xx atraíram muito mais plateia que o Dead Weather, do ídolo Jack White, ou que os veteranos do Faith No More (ambos no sábado). Só o tempo vai dizer se esses calouros do pop vão seguir no camarote ou sumir do radar, como bandas recentes que fizeram sucesso e, depois, tornaram-se irrelevantes (Clap Your Hands Say Yeah, Hard-Fi etc).

O vocalista Mike Patton, do Faith No More, até brincou com a sua posição de "vovô" no festival.

- Eu sei que para vocês eu pareço ter 80 anos - disse.

O fator Thom Yorke para encerrar o Coachella

As pessoas começaram a lotar o Outdoor Stage, no Coachella Festival, muito antes de o show do supergrupo Atoms For Peace começar, pra ficar o mais perto possível de Thom "Radiohead" Yorke quando ele aparecesse. Ninguém sabia muito bem o que ia ouvir e, mais tarde, todo mundo saiu de lá surpreendido. O músico britânico comandou um show sensacional, cheio de groove, com sobras de funk e afrobeats. Formado também por Michael "Flea" (Red Hot Chili Peppers), Nigel Godrich, Joey Waronker e o percussionsta brasileiro Mauro Refosco, o Atoms tocou todas as faixas do "Eraser", disco solo lançado por Yorke em 2006, e o Yorke ainda puxou duas clássicas do Radiohead ("Everything in its right place" e "Airbag"), além de composições nunca gravadas.

Pra muita gente, foi o melhor show de domingo e até do festival inteiro. Mas o último dia de um dos maiores festivais da música pop no mundo teve ainda a volta do Gorillaz e do Pavement, uma performance alucinante do Phoenix, Florence & The Machine, ... Teve muito mais.

Eu estava esperando uns efeitos especiais bizarros no show do Gorillaz. Tinha gente falando até de hologramas reproduzindo os famosos avatares dessa banda virtual. Mas, no fim das contas, vieram os músicos de carne e osso mesmo. Damon Albarn com a dupla Paul Simonon e Mick Jones, que eram do The Clash, além de convidados como o De La Soul. Foi bem maneiro. Amparados por telões imensos no palco principal do Coachella, os caras tocaram classicos como "Kids with guns", "Last living souls", "Clint Eastwood" e algumas faixas do disco novo, "Plastic Beach".

O Pavement foi mais ou menos na mesma hora do Phoenix, e boa parte do público preferiu ver a banda francesa. Foi muito bom. Parece que os caras quase não conseguiram pegar o avião na Europa, por causa do caos aéreo gerado pelas cinzas do vulcão na Islândia. Eles vieram, mas sem os equipamentos de luz e a decoração do palco. Só que mesmo assim, pelados, fizeram bonito no Outdoor Stage. Os caras já chegaram chegando, tocando megahit "Lizstomania" na abertura do show. A galera se empolgou, a banda manteve o clima de festa e assim foi até o final.

Antes dos shows importantes no palco principal, a pequena tenda Gobi bombou forte com Florence & The Machine e Mayer Hawthorn. A cantora de "The dog days are over" soube conquistar o público depois se atrasar por dez minutos e gerar um certo mau-humor. Já o soulman de 31 anos foi todo carisma e vozerão, cantando seu disco, "A strange arrengement", e fazendo covers de clássicos da black music.

William Helal Filho



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